Psicossomática: de Shakespeare a clínica
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- Por Rick Nauert tradução e adaptação: Kleyson Matos | Em Terça, 29 Novembro 2011 20:47
Para entender melhor a conexão entre corpo e mente, profissionais da saúde são aconselhados a voltar 400 anos atrás e investigar o trabalho de um poeta e dramaturgo, William Shakespeare, de acordo com um novo estudo, as obras desse escritor ajudam a entender melhor de que forma causas psicológicas podem resultar em séries de sintomas físicos.
Shakespeare era um mestre em retratar as emoções dos seus personagens, e de que forma os sentimentos podem resultar em sintomas físicos. Um estudo de suas observações pode informar diversas questões importantes sobre a psicosomatização a muitos profissionais de saúde modernos, sugere o Dr. Kenneth Heaton, médico e autor do estudo.
Heaton analisou 42 das principais obras do autor e 46 obras de autores contemporâneos que apresentavam evidências de sintomas psicossomáticos em pacientes. Ele se concentrou em sintomas sensoriais relativos à visão, o paladar, o coração e regiões gastrointestinais.
O estudo aponta que Shakespeare deu destaque em suas obras aos sintomas psicossomáticos, tais como tonturas / desmaio, a sensibilidade embotada ou aumentada, dor e caracteres que expressam emoções profundas.
A vertigem/tontura com causa psicossomática é expressa por cinco personagens masculinos em 'A Megera Domada’, 'Romeu e Julieta', 'Henrique IV’, 'Cimbelino' e 'Troilo e Créssida'. Há pelo menos 11 casos de falta de ar associada com extrema emoção em 'Dois Cavalheiros de Verona', 'O Rapto de Lucrécia', 'Vênus e Adônis' e 'Troilo e Créssida'.
Fadiga / cansaço como resultado de tristeza ou angústia é uma sensação familiar entre os personagens de Shakespeare, mais notavelmente em 'Hamlet', 'O Mercador de Veneza', 'Como gostais', 'Ricardo II' e 'Henrique IV'.
"A percepção de Shakespeare sobre que a dormência e as sensações físicas que podem ter origem psicológica não parece ter sido compartilhada por seus contemporâneos”, escreve Heaton.
Heaton concluiu através dos dados analisados que Shakespeare "era um escritor excepcional que nos falava muito sobre a relação corpo-mente", sugerindo que a técnica foi usada para fazer seus personagens parecerem mais humanos e gerar uma maior empatia, elevando o conteúdo emocional de suas peças e poemas. Shakespeare também era um mestre de mostrar que sintomas físicos podem resultar de causas psicológicas - uma descoberta que o autor acredita que os profissionais de saúde modernos, principalmente os médicos, devem se lembrar.
"Muitos médicos relutam em atribuir sintomas físicos por conta da perturbação emocional, e isso resulta em retardo no diagnóstico, investigações desnecessárias e tratamento inadequado", escreve o Dr. Kenneth.
Fonte: Psych Central








