Pesquisa canadense confirma forte ligação entre uso de metanfetamina e esquizofrenia
- Detalhes
- Por Janice Wood tradução e adaptação: Kleyson Matos | Em Quarta, 09 Novembro 2011 21:22
Cientistas do Centro de Toronto para o Estudo do Vício e Saúde Mental (CAMH) encontraram evidências de que usuários de metanfetamina podem ter um maior risco de desenvolver esquizofrenia. Esta conclusão foi baseada em um estudo que comparou os riscos entre os usuários de metanfetamina não apenas a um grupo que não usou drogas, mas também para usuários de outras drogas pesadas.
O relatório, publicado online em 08 de novembro pela revista AJP in Advance, observa que a metanfetamina e outros estimulantes do tipo anfetamina são o segundo tipo mais comum de drogas ilícitas consumidas no mundo inteiro.
"Descobrimos que pessoas hospitalizadas pela dependência de metanfetamina que não tiveram um diagnóstico de esquizofrenia ou sintomas psicóticos no início do nosso período de estudo tinham um risco cerca de 1,5 a 3 vezes maior de, posteriormente, ser diagnosticado com esquizofrenia, em comparação com grupos de pacientes que usaram cocaína, álcool ou drogas opióides ", disse Russ Callaghan,cientista do Centro de Toronto que dirigiu a pesquisa.
Para estabelecer esta associação, os pesquisadores examinaram registros de hospitais da Califórnia, e analisaram a ficha de pacientes internados entre 1990 e 2000 com diagnóstico de dependência ou abuso de várias drogas, incluindo a metanfetamina, maconha, cocaína, álcool ou opióides, que desenvolveram o transtorno mental. Eles também incluíram um grupo controle de pacientes com apendicite e sem uso de drogas. O grupo de metanfetamina teve 42.412 casos, enquanto cannabis tinha 23.335.
Dos registros foram excluídos pacientes dependentes de mais de uma droga ou que tinham um diagnóstico de esquizofrenia ou psicose induzida por drogas durante sua internação inicial. Registros de readmissão nos hospitais da Califórnia foram analisados por até 10 anos após a admissão inicial, e concluíram com a identificação dos pacientes que foram readmitidos com um diagnóstico de esquizofrenia em cada grupo de drogas.
Já existe um longo tempo de debates sobre há possível conexão entre o consumo de metanfetaminas e esquizofrenia, muitos médicos japoneses há muito tempo acreditavam que a metanfetamina pode causar um transtorno semelhante à esquizofrenia, com base em suas observações de altas taxas de psicose entre os usuários de metanfetamina internados em hospitais psiquiátricos. No entanto, faltava um estudo a longo prazo do acompanhamento de usuários de metanfetamina inicialmente livres de psicose.
Na América do Norte, esta ligação tem sido quase sempre com desconto, já que os psiquiatras acreditavam que a psicose já estava presente e não diagnosticada nesses usuários de metanfetamina. "Nós realmente ainda não entendemos como estas drogas podem aumentar o risco de esquizofrenia", disse Stephen Kish, cientista sênior e chefe do Laboratório do Centro de Toronto. "Talvez usando repetidas doses de metanfetamina e maconha, os indivíduos suscetíveis podem desencadear a esquizofrenia latente, sensibilizando o cérebro a dopamina, uma substância química do cérebro associada com a psicose."
Kish adverte que os resultados não se aplicam aos pacientes que tomam doses muito mais baixas e controladas de anfetaminas ou cannabis para fins médicos. Como este é o primeiro estudo mostrando esta ligação em potencial, os pesquisadores enfatizam que os resultados precisam ser confirmados em pesquisas adicionais, envolvendo em longo prazo estudos de acompanhamento de usuários da metanfetamina. "Esperamos que a compreensão da natureza da droga, e o relacionamento do vício com a esquizofrenia possam auxiliar o desenvolvimento de melhores terapias para ambas as condições”, disse Callaghan.
Fonte: Psych Central








