Desconstruindo os mitos em torno da Psicopatia
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- Por Rick Nauert tradução e adaptação: Kleyson Matos | Em Domingo, 11 Dezembro 2011 14:03
Para muitos, o conhecimento de psicopatia que possuem decorre de reportagens ou das produções cinematográficas. Personalidades psicopaticas são muitas vezes memoráveis, seja nas telas ou no mundo real, com ações que levam a uma impressão duradoura. Mas a investigação científica sugere que a psicopatia é um transtorno de personalidade muito mal compreendido.
Personagens como Patrick Bateman de "Psicopata Americano", Dexter Morgan da série "Dexter" ou o Dr.Hannibal Lecter de "O Silêncio dos Inocentes" são normalmente descritos como charmosos, intrigantes, desonestos, sem culpa e em alguns casos, absolutamente aterrorizantes.
"A psicopatia tende a ser usada como um rótulo para pessoas que não gostamos, pessoas que não conseguimos entender ou interpretamos como personificação do próprio mal", disse a Drª Jennifer Skeem, professora de psicologia e comportamento social da Universidade da Califórnia, Irvine.
Skeem juntamente com colegas de estudo têm escrito uma monografia que se concentra na compreensão da personalidade psicopática. O estudo pode ser encontrado na revista Psychological Science in the Public Interest.
Os especialistas dizem que a confusão sobre psicopatia existe até mesmo na comunidade científica, com muitas descobertas contradizendo outras. "A psicopatia tem sido considerada como um transtorno de personalidade único. No entanto, há evidências crescentes de que existe na verdade uma confluência de vários traços de personalidade diferentes”, disse Skeem.
Os autores da monografia argumentam que ao invés de ser "uma coisa", como é comumente considerada, a psicopatia parece ser uma condição complexa e multifacetada marcada pela mistura de traços de personalidade refletindo diferentes níveis de desinibição, ousadia e mesquinhez. Uma descoberta notável entre a literatura existente é que um subgrupo considerável de menores infratores e adultos - rotulados como psicopatas são, na verdade, pessoas emocionalmente perturbadas, mostrando sinais de ansiedade e disforia.
Apesar da suposição comum de que os psicopatas 'nascem assim', e de que não são construídos com as aprendizagens e com o contato social, os autores ressaltam que a psicopatia não é apenas uma questão de genes - parece ter múltiplas causas e também parece ser moldada por fatores ambientais.
Outro mito é o pressuposto de muitos psicólogos e psiquiatras que a psicopatia é inalterável - uma vez psicopata, sempre será um psicopata. No entanto, pesquisadores dizem que não há evidência científica mínima para apoiar esta colocação. Trabalhos empíricos recentes sugerem que jovens e adultos com altos escores em medidas de psicopatia podem mostrar redução significativa do comportamento violento e criminoso após tratamento intensivo.
Outro equívoco importante que os autores procuraram dissipar no estudo é o de que a psicopatia é sinônimo de violência. Skeem pontua que muitas vezes os indivíduos psicopatas não têm histórico de comportamento violento ou condenações penais. "Psicopatia não pode ser equiparada com extrema violência ou assassinatos em série", afirma Skeem.
Na verdade, os psicopatas muitas vezes não demonstram ser mais diferentes que qualquer pessoa dita 'normal'.
Os investigadores acreditam que uma visão mais precisa dos traços de personalidade que caracterizam a psicopatia, vai ajudar a prevenção e o tratamento, além de melhorar as estratégias em saúde e segurança pública.
Fonte: Psych Central








