Faltam estudos psicológicos que abordem novas possibilidades de atuar em situações de pobreza
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- Por Fernando Martins | Em Terça, 07 Junho 2011 23:58
AGÊNCIA NOTISA - Apesar dos esforços de seguidos governos para a redução da pobreza no Brasil nos últimos anos, a questão ainda se configura como um problema de primeira grandeza no país. Como a condição de pobreza continua se fazendo muito sentida, o tema se mostra um campo fértil para pesquisas e trabalhos de caráter científico e acadêmico. O artigo “Psicologia e pobreza no Brasil: produção de conhecimento e atuação do psicólogo” fez uma revisão da contribuição da Psicologia para o entendimento da questão.
Publicada ano passado na revista Psicologia & Sociedade e de autoria dos pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Candida Maria Bezerra Dantas, Isabel Fernandes de Oliveira e Oswaldo Hajime Yamamoto, a pesquisa foi realizada em quatro etapas: “levantamento nas bases de dados referenciais disponíveis na Internet; construção de um banco de dados com 312 publicações; recuperação e categorização dos resumos de 209 artigos científicos” e “leitura e análise de 47 artigos científicos completos”, relata o texto.
Segundo os autores, mesmo que a produção da Psicologia sobre o tema pobreza seja bastante heterogênea, foi possível destacar alguns padrões após a execução das quatro etapas anteriormente citadas. De maneira geral, notaram os autores, a questão se desenvolve em dois vieses principais: ou há a descrição das condições de pobreza e relatos de experiência do próprio pesquisador em ambientes marcados por esta situação ou estudam-se os efeitos da condição de pobreza com outras questões sociais, enfocando, por exemplo, o desenvolvimento de crianças e jovens que vivem nas ruas.
Assim, consideram os autores, não se pode dizer que haja de fato padrões para como estudar a pobreza do ponto de vista da Psicologia, já que não foi encontrada “produção alguma que proponha efetivamente a construção de novos conhecimentos que embasem as práticas desenvolvidas com populações pobres”. Ainda que, principalmente a partir da década de 80, psicólogos tenham se interessado bastante pelo tema, haveria uma persistente “dificuldade de construção de modelos teórico-metodológicos que ofereçam ao profissional novas possibilidades de atuação”.
Esta realidade, crêem os autores, acaba também por dificultar as possibilidades dos achados em Psicologia deixarem seu campo apenas teórico e se refletirem em estratégias palpáveis para redução da pobreza no país. Existiriam, assim, lacunas para o “reconhecimento das limitações no entendimento da questão (pobreza) e das possibilidades de construção de um conhecimento que transforme efetivamente o saber/fazer, e não se restrinja à adaptação de teorias e técnicas psicológicas”, afirma o artigo.
Apesar destas dificuldades, os pesquisadores consideram positivo que a produção da Psicologia continue cada vez mais a tomar a pobreza como objeto de estudo. “Dessa forma, será possível, por um lado, avançar para além da reprodução de modelos de atuação que desconsiderem as especificidades da população trabalhando em nome de uma suposta 'universalidade' do objeto a que se destina a atuação psicológica, e, por outro, melhor delimitar o real significado das práticas que buscam a ‘transformação social’, contribuindo, dessa forma, para a construção de teorias e técnicas que colaborem efetivamente, em conjunto com outros profissionais, para ações que visem a uma melhora real nas condições de vida da população”, concluem.
Para ver o artigo na íntegra, acesse: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010271822010000100013〈=pt
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
Fonte: Jornal diadia








