Não só de hormônios se faz a adolescência

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Adolescência - filme: My GirlA adolescência é uma fase na vida de qualquer pessoa marcada por inúmeras transformações tanto físico-químicas, como também transformações psicológicas, entre elas cognitivo-comportamentais. A neurocientista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Suzana Herculano-Houzel escreveu em um artigo da Revista Mente e Cérebro do mês de Outubro deste ano, sobre a questão da adolescência e o processo de acontecimento deste fenômeno.

 Suzana contesta o modo vulgarizado de se pensar adolescência como algo que ocorre somente devido mudanças hormonais, verificado muitas vezes no senso comum com frases "são os hormônios,depois passa". "Por alguma razão, a frase me irritava profundamente. Minha 'vingança' chegou anos depois, pelas mãos da neurociência: hoje se sabe que os hormônios pouco têm a ver com a adolescência. Ela nem mesmo é iniciada por eles – e sim pelo cérebro", diz a neurocientista.

A pesquisadora ainda aponta que embora as transformações iniciem com o hipotálamo que provoca no corpo dos jovens alterações hormonais, os adolescentes não são nem crianças grandes e também não são adultos com um cérebro já pronto. Os adolescentes não são também um "coquetel de hormônios", como ela mesma fala "Adolescentes são donos de um cérebro adolescente, em franca remodelagem, e justamente daí vêm todas as características da fase".

 Outro ponto tocado na discussão é a questão da sexualidade na adolescência, para Suzana que estuda a um longo tempo a neurociência e suas descobertas, a idéia de que existe uma escolha sexual na adolescência caí por terra, incidentalmente o jovem descobre qual sexo deixa seu hipotálamo excitado ou não (excitabilidade que para os neurocientistas, depende de eventos que ocorrem no início da gestação). Ela comenta que "Escolha sexual é apenas o que se decide fazer com a própria preferência sexual: abraçá-la ou escondê-la".

A conclusão retirada do estudo sobre adolescência sob a luz da neurociência e a visualização de dados empíricos é que embora o adolescer seja marcado por grandes mudanças físicas, alterações no sistema de recompensa do cérebro, muitas vezes conflitos com as autoridades parentais e com determinados grupos, a adolescência é de fundamental importância na constituição  do sujeito.

Em uma fala do final do artigo a autora interroga aos seus leitores "O conjunto é ótimo (as transformações presentes), pois nos faz abandonar os prazeres da infância e querer sair de casa em busca de outros horizontes. Senão, quem abriria mão de casa, comida e roupa lavada?".

Fonte: Revista Mente e Cérebro

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