O trauma psicológico pode atravessar gerações?
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- Por Brain Research Institute / University of Zurich | Em Sábado, 02 Outubro 2010 01:07
Alguns estudos sugerem que os sintomas e traços de personalidade
associados ao TEPT ( Transtorno de estresse pós-traumático) são mais comuns do que os observados em outras
pessoas. Os efeitos transgeracionais desse tipo de transtorno chegam a
ser mais presentes do que certas heranças biológicas.
Um estudo feito por Isabelle Mansuy, pesquisadora da Universidade de Zurique, e publicado no Biological Psychiatry, apontam que alguns aspectos do trauma transgeracional podem estar associados a mudanças epigenéticas – mudanças que atingem a expressão de certos genes, sem atingir a composição do DNA.
A pesquisadora observou essas variações epigenéticas em modelos animais induzidos ao estresse e cujas crias apresentavam comportamentos depressivos. E o mais importante, essas alterações foram associadas tanto ao estresse vivido pelos pais quanto pelas mães e estavam presentes mesmo que os descendentes não vivessem em ambientes com estressores.
“A observação em humanos já havia indicado essa possibilidade de que certos traços genéticos poderiam ter influência ambiental e seriam transmitidos de geração em geração. Essas alterações – que agora observamos nos modelos animais – poderiam explicar diversas condições psicológicas em certas famílias”, diz Mansuy. “Nossos resultados são mais um passo na direção de entender a epigenética e mesmo intervir nesses fenômenos.”
De acordo com Mansuy, o estudo mostrou que o estresse pós-traumático realmente altera as expressões de certos genes e essas alterações podem perdurar por diversas gerações. “As gerações posteriores estarão preparadas para lidar com um determinado ambiente, vivido pelos pais, e que talvez não seja o ambiente que ele irá enfrentar. Como fazer para contrabalancear esses efeitos? Essa é uma questão na qual precisamos nos concentrar”, finaliza.
Fonte: Site UOL









